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terça-feira, 12 de julho de 2011

Di-fere

A gente pensa que é uma coisa,
daí é outra.
A gente acha que está num lugar,
mas tá no outro.
Tem hora que até parece que está ali pertinho,
mas vai pra longe numa piscada.
A gente acha que é importante,
depois fica na dúvida.
Às vezes parece que nada mais importa,
depois nem importa mais.
Tem hora que é quase tudo,
tem hora que nem um pouco.
Um dia, dois, uma semana.
Hoje foi novo,
pela primeira vez o vazio completo.
A gente pensa que faz diferença,
aí dá impressão de que nem é tanta.

"ela falou que ia embora e eu ignorei: 'ignora nada sua besta, vem aqui e me aperta logo enquanto pode'"

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ainda não

Tem hora e pouco,
tem hora e meia,
em meia hora,
agora há pouco.
Todas as horas às vezes é pouco.
Não falta nada, mas falta um tanto,
só que não falta agora,
vai faltar.

"tem hora e pouco, tem hora e meia, tem hora que nunca chega, tem hora que vai chegar"

terça-feira, 5 de abril de 2011

Dá nada

Eu ando.
Andava também Luzia.
Éramos uma trabalheira danada.
Quando eu não dava de sumir, dava Luzia de aparecer de repente.
Mulher danada que ela é. Se me pegava depois de um dia pesado perigava passar vergonha.
Com ela não tem uma ou duas. É duas ou três, às vezes quatro, e eu que não me cuide!
Eu gosto! Sempre gostei. Desde os tempo da caverna na Augusta... uma daquelas, tem tantas.
Eu ando meio agora.
Ela também tá só metade.
Eu meio dado, Luzia bem danada.
Dá nada ultimamente e eu ando nada com isso.
Mas ela muda. E muda colhe uma muda de silêncio de bem dentro dos meus modos
Só pra plantar no jeito dela e fazer mudar com ela. 
Mudo também, assim em silêncio, como quem tá pensando no que era.
Passa Luzia, passa aqui, ali e passa logo do meu pensamento.
Coisa boa que me deixava cheio de marca.
Mas marca num demarca não. Fica no tempo só pra contar história mesmo.
Ela andou eu também.
Vai Luzia,
traz pra mim aquele copo de malícia.

"e a gente se casa na beira Luluza, na beira do mar"

terça-feira, 29 de março de 2011

Saudade do Acaso

Fui ao teatro hoje e me deu saudade do Acaso =)


Acaso

  Não é o caso de sair gritando
  Não é o momento, nem há necessidade alguma
  passou da hora, 
  nem é a vez
  é só o acaso
  que uniu aqui os olhos da beleza
  com os olhos da espera

Por Acaso

  Havia um lugar onde as coisas se mostravam
  não era mais perto de mim do que de qualquer outra pessoa
  era também um lugar no centro de todas as vidas que ali foram criadas
  era um lugar onde o imaginário acontecia
  em que tudo se modificava se encontrava e se perdia
  e embora mais do que esperado fosse
  decidiu-se por chamar Acaso.

Ao Acaso

  O palco, por acaso, não estava ali na frente parado, 

  estava por toda a parte e se movia com a platéia.
  Esta sobre o palco, dentro da cena, alagada da nossa sensibilidade,
  exibia sorrisos, olhos apertados e toda sorte de caras que se possa imaginar.
  Nós - os atores - não por acaso éramos justamente alegria
  e, por isso, éramos não menos do que explosão de risos e lágrimas.


Terceiro


Teve o primeiro               teve o segundo.
Foram 30                        fomos 4,
                        só três.
Três anos,                      três curtos,                        mais um pouco.

Veio o terceiro,
 um mais velho,
  um usado,
   este é bem novo.

  Esperado,
 i-nesperado,
in-culto.

Malandro,
repassa no bar,
o que é da cama
o que é da mesa.
As várias lágrimas,
as despedidas
as bolhas
os tapas
o verdadeiro
o insano.

Constrói,
reinventa,
desinventa,
descuido,
não forma,
o conteúdo,
falta
nas janelas nas pernas à luz das coxas
o murro, o suspiro e o sopro na boca
e arranca de novo o arregalo dos olhos.
O gemido     o resumo da beleza à espera dos olhos,
o impulso     um insulto,
acasO.
"foi assim, quando vimos era maior do que nós todos"

segunda-feira, 28 de março de 2011

Muda

Com um sorriso quase novo, escreveu com a naturalidade de quem fala:
"Muda, muda o que escrevo. No jeito que eu escrevo, muda as coisas de que falo. Muda a minha fala, também muda as coisas que eu vejo e vejo tudo assim de pouquinho tomando um novo jeito. E muda o gosto. E vai mudando as coisas que me deixam mudo e que me tiram o fôlego"

"Havia algo no ar, como uma pedra de gás,
gota, bolha e sinal, havia algo e há"

sexta-feira, 25 de março de 2011

Água

Toda água em mim apela, é sensação que de hora em hora revela tudo que em mim revira.

"como fosse água, vem pra mudar tudo"

terça-feira, 22 de março de 2011

Atrevimento

Ah
se eu tivesse coragem
pra ousar
a audácia
de gostar
mas não
não faz parte do plano

"tudo é ousado para quem a nada se atreve"
(de um certo Pessoa)

terça-feira, 15 de março de 2011

O que revira




Ah de todas essas coisas...
de todos esse obstáculos, de todo o sucesso, de toda essa merda
o que me revira é o que vira a cama
e deixa a roupa do avesso
e vira as coisas no chão
e arremessa da cama
e fica por cima
é o que revira as pernas
e os olhos
e tudo se mexe mais rápido
e tudo se aperta
e se avermelha
se morde
e esquenta
e se contrai mais forte
no momento exato anterior em que se espalha
e naquele gozo se afunda
a cara e o corpo colados em todos os pontos
sem meias palavras
sem meio sexo
é assim claro e completo
é isso que me revira

"Tem dias que a metáfora é sem sal, nesses dias sinestesia"

terça-feira, 1 de março de 2011

De dentro da língua

Hoje vim pra apontar: Cinto (de uma Stevanato)


"Toda água em mim apela, é sensação que de hora em hora vela tudo que em mim revira."

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Um e outro

Um dizia umas coisas que não faziam sentido.
Outro fazia umas coisas que não se pode contar.
Entre outro e um, pouco se notava semelhança.
Tanta diferença em tão pequeno espaço, nunca antes fez tanto sentido.
Se reclamava, se despia. Se aceitava, se vestia.
Um se de condição, outro relexivo.
Foi assim e são todos os dias.
Um continua, outro pára.
Um do outro.
Outro do mundo.
Um do mundo.
Outro do outro.
Juntos.

"na minha terra Bahia entre o mar e a poesia tem um porto salvador"

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Encanta

Faz muito que não vejo aquele nego.
Tem algumas primaveras.
Umas mais floridas, outras menos.

Já fazia tempo eu não via aquela preta.
Tem mesmo já umas várias fodas.
Umas meio mornas, outras mais viradas no bixo.

Última vez que vi estava terminando o supletivo.
Cabeceava o trajeto todo no trem da Lapa à Barra Funda.

Da vez que vi, tava de saia!
No balanço do trem parecia que abanava o rabo pra mim.

Hoje passou por mim, nem notou.
Do que eu costumava olhar não sobrou nada.
Primaveras pesadas meu preto!

Nem me viu e eu quase que buli.
Preta boa de tudo.
Se me olha, casava, ficava até fiel!

"trocando em miúdos pode guardar"

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Amansa

Aquela uma ali fala comigo como se não tivesse me olhando
ela olha pra mim e pensa como se não tivesse falando
ela pensa em mim e faz como se não quisesse
ela pensa que não, até faz que não, mas tem todo dia
vem no balcão e pede outra como se pudesse
eu pisco olho, faço o troco do Manel
e ela quer outra
a barriga na madeira, a mão no vidro do balcão e bate boca
bate outra, bate uma, desce uma, desce outra
bora a louca botar a culpa em mim
e toma mais
aquela uma tá que tá pra esquecer de alguma coisa
eu finjo que nem sei
que nem lembro
e bora cobrar outra do Manel
daquela uma ali é que não cobro nada
mais nada
nunca mais

"Matilde, a louca mansa, vivia mercando assim: 
Olha a Flor da Noite!"

domingo, 19 de dezembro de 2010

Sobre viagens e música

Tava tocando
você não estava ouvindo
também não estava falando
vai ver nem estava mais lá
não estava
mas eu cantei
e eu tocava
eu cantei umas três
aquelas duas mais uma outra
aquela que ficou gravada
e as outras que ficaram marcadas
muita coisa né
que coisa

"vai mais ligeiro, ainda tenho que pegar um cinema hoje"

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Terceiro


Teve o primeiro               teve o segundo.
Foram 30                        fomos 4,
                        só três.
Três anos,                      três curtos,                        mais um pouco.

Veio o terceiro,
 um mais velho,
  um usado,
   este é bem novo.

  Esperado,
 i-nesperado,
in-culto.

Malandro,
repassa no bar,
o que é da cama
o que é da mesa.
As várias lágrimas,
as despedidas
as bolhas
os tapas
o verdadeiro
o insano.

Constrói,
reinventa,
desinventa,
o descuido,
a não forma,
o conteúdo,
a falta
nas janelas nas pernas à luz das coxas
o murro, o suspiro e o sopro na boca
e arranca de novo o arregalo dos olhos.
O gemido     o resumo da beleza à espera dos olhos,
o impulso     um insulto,
o acasO.


"mais duas entradas, uma inteira, uma meia
são quase oito horas, a sala está cheia
essa sessão das 8 vai ficar lotada"

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Quando o restrito todo mundo já conhece

Olha se não são os olhos dela refletindo a luz que vem da janela!
Vem com a flor pendurada pelo braço.
Arrancada não há muito, fica ali perto dos peitos.
Olha se não são os mamilos dela ali na roupa!
Vem com o laço pendurado no pescoço.
Debruçado não há muito, fica ali perto do rosto.
Olha ali bem no meio das pernas dessa preta!
Se não são aquelas as rodelas do joelho!
Fica logo ali a uns dois palmos do vinco na calça da boceta.


"já dizia o poeta, elas arrancam tudo, mas têm"

sábado, 9 de outubro de 2010

Lia e relia

Lia pensa nas coisas com pressa
faz tudo assim afoita
fala mal, mas fala muito
melhor Lia sorrindo
tem muita gente que concorda

Faz horas Lia encostada na janela

As olheiras de Lia têm feito hora extra
muita gente não se opõe
Lia faz fila toda sexta
tem quem valorize seu trabalho
ela faz
faz assim em poucas horas muita gente
assim já há algum tempo
já são uns muitos, natural que fossem
às meninas quase todas rejeita
não menos que esperado

"olha essa princesa, ela deve ter um dente mãe"

Inacidente

A vontade original era de deixar aqui umas frases minhas, inacidentalmente,
as suas não deixaram.

"
Alimento para cabeça vazia
Caneta nervosa
Apoio de ânsia cínica
Frases cortadas e soltas
Nasce algo tosco requentado
Que dá vergonha de comer
Vira de lado e olha pra cima
Disfarça e dá ponto final
Com palavra que não rima
" (Medo de escrever muito sobre coisa pouca) de uma Stevanato


"a gente faz hora, faz fila, Lia não sabe o que faz"

sábado, 2 de outubro de 2010

Palhaço

não ri pra si, mas ri em todos.
Retira do que é seu o que é mais nobre e entrega aos outros.
Generoso, dá de tudo e sobra pouco.
Como desempoeirando com a cara, abre mão e renova tudo.
Haja visto que o rosto do palhaço é branco de pó.
Só não se alegra o palhaço, mas se comove, se alimentando do amor pelo fazer feliz.
Segue amando assim de pouquinho e no escuro,
e se despe da felicidade no caminho,
amando verdadeiramente o fazê-lo.

"venha ver aquele preto que você gosta, está cantando na tv"

Aqui

Ela falou pra mim que ía embora. Ignorei.
Ignora nada sua besta, vem aqui e me aperta enquanto pode...

"aumenta o volume, deixa ele cantar a casa toda"

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Foi nada

Foi nada!
Não conseguiu me dar um motivo e eu sabia de todos.
Aquela cara esticada e limpa e eu de mãos sujas.
Volta aqui e eu lhe dou mais uns bons motivos na cara!
Vai sair de novidade que eu fico aqui de mesmice.
Não aprendeu com a gota d'água?
Enfia sua juventude no cu e me esquece.
Eu aprendi!
Aproveita os novos que dos velhos tiro proveito eu.
Das coisas velhas, da casa velha, das roupas velhas, do corpo velho...
Não pensa que vai deixar vazio, que de vazio já bastaram os anos todos.
Eu ocupo a casa e me encho.
Não justificou uma falta e queria outra foda.
Foda-se! A migalha é sua, fica com ela, eu não quero!
Eu não aceito a canalhice, a palha sempre foi sua, vá embora.
Dormia na minha cama, mas só me queria no tapete.
Era com o suor das suas costas que eu limpava o sangue dos meus joelhos.
Tom de arrependimento que nada.
Falei foi bem batendo o pé
Batendo a cara.
Bate aqui na minha cara e vai ver se a gente não esvazia esse tanque.
Te esvazio os bolsos na porrada.
De bilhete já tomei porre, enxaqueca de perfume.
O pano na pedra tirando mancha e o batom comendo as minhas unhas.
É pouca manga e muito pano.
Dá as caras, faz sujeira, ajeita a calça, vira o assunto e sai de farra.
Ainda me pergunta?!
Ah, bate aqui na minha porta e cê vai ver se isso foi nada.

"eu que nunca fui de secar lágrimas"