terça-feira, 29 de março de 2011

Saudade do Acaso

Fui ao teatro hoje e me deu saudade do Acaso =)


Acaso

  Não é o caso de sair gritando
  Não é o momento, nem há necessidade alguma
  passou da hora, 
  nem é a vez
  é só o acaso
  que uniu aqui os olhos da beleza
  com os olhos da espera

Por Acaso

  Havia um lugar onde as coisas se mostravam
  não era mais perto de mim do que de qualquer outra pessoa
  era também um lugar no centro de todas as vidas que ali foram criadas
  era um lugar onde o imaginário acontecia
  em que tudo se modificava se encontrava e se perdia
  e embora mais do que esperado fosse
  decidiu-se por chamar Acaso.

Ao Acaso

  O palco, por acaso, não estava ali na frente parado, 

  estava por toda a parte e se movia com a platéia.
  Esta sobre o palco, dentro da cena, alagada da nossa sensibilidade,
  exibia sorrisos, olhos apertados e toda sorte de caras que se possa imaginar.
  Nós - os atores - não por acaso éramos justamente alegria
  e, por isso, éramos não menos do que explosão de risos e lágrimas.


Terceiro


Teve o primeiro               teve o segundo.
Foram 30                        fomos 4,
                        só três.
Três anos,                      três curtos,                        mais um pouco.

Veio o terceiro,
 um mais velho,
  um usado,
   este é bem novo.

  Esperado,
 i-nesperado,
in-culto.

Malandro,
repassa no bar,
o que é da cama
o que é da mesa.
As várias lágrimas,
as despedidas
as bolhas
os tapas
o verdadeiro
o insano.

Constrói,
reinventa,
desinventa,
descuido,
não forma,
o conteúdo,
falta
nas janelas nas pernas à luz das coxas
o murro, o suspiro e o sopro na boca
e arranca de novo o arregalo dos olhos.
O gemido     o resumo da beleza à espera dos olhos,
o impulso     um insulto,
acasO.
"foi assim, quando vimos era maior do que nós todos"

segunda-feira, 28 de março de 2011

Muda

Com um sorriso quase novo, escreveu com a naturalidade de quem fala:
"Muda, muda o que escrevo. No jeito que eu escrevo, muda as coisas de que falo. Muda a minha fala, também muda as coisas que eu vejo e vejo tudo assim de pouquinho tomando um novo jeito. E muda o gosto. E vai mudando as coisas que me deixam mudo e que me tiram o fôlego"

"Havia algo no ar, como uma pedra de gás,
gota, bolha e sinal, havia algo e há"

sexta-feira, 25 de março de 2011

Água

Toda água em mim apela, é sensação que de hora em hora revela tudo que em mim revira.

"como fosse água, vem pra mudar tudo"

terça-feira, 22 de março de 2011

Atrevimento

Ah
se eu tivesse coragem
pra ousar
a audácia
de gostar
mas não
não faz parte do plano

"tudo é ousado para quem a nada se atreve"
(de um certo Pessoa)

terça-feira, 15 de março de 2011

O que revira




Ah de todas essas coisas...
de todos esse obstáculos, de todo o sucesso, de toda essa merda
o que me revira é o que vira a cama
e deixa a roupa do avesso
e vira as coisas no chão
e arremessa da cama
e fica por cima
é o que revira as pernas
e os olhos
e tudo se mexe mais rápido
e tudo se aperta
e se avermelha
se morde
e esquenta
e se contrai mais forte
no momento exato anterior em que se espalha
e naquele gozo se afunda
a cara e o corpo colados em todos os pontos
sem meias palavras
sem meio sexo
é assim claro e completo
é isso que me revira

"Tem dias que a metáfora é sem sal, nesses dias sinestesia"

terça-feira, 1 de março de 2011

De dentro da língua

Hoje vim pra apontar: Cinto (de uma Stevanato)


"Toda água em mim apela, é sensação que de hora em hora vela tudo que em mim revira."

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Um e outro

Um dizia umas coisas que não faziam sentido.
Outro fazia umas coisas que não se pode contar.
Entre outro e um, pouco se notava semelhança.
Tanta diferença em tão pequeno espaço, nunca antes fez tanto sentido.
Se reclamava, se despia. Se aceitava, se vestia.
Um se de condição, outro relexivo.
Foi assim e são todos os dias.
Um continua, outro pára.
Um do outro.
Outro do mundo.
Um do mundo.
Outro do outro.
Juntos.

"na minha terra Bahia entre o mar e a poesia tem um porto salvador"

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Encanta

Faz muito que não vejo aquele nego.
Tem algumas primaveras.
Umas mais floridas, outras menos.

Já fazia tempo eu não via aquela preta.
Tem mesmo já umas várias fodas.
Umas meio mornas, outras mais viradas no bixo.

Última vez que vi estava terminando o supletivo.
Cabeceava o trajeto todo no trem da Lapa à Barra Funda.

Da vez que vi, tava de saia!
No balanço do trem parecia que abanava o rabo pra mim.

Hoje passou por mim, nem notou.
Do que eu costumava olhar não sobrou nada.
Primaveras pesadas meu preto!

Nem me viu e eu quase que buli.
Preta boa de tudo.
Se me olha, casava, ficava até fiel!

"trocando em miúdos pode guardar"

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Amansa

Aquela uma ali fala comigo como se não tivesse me olhando
ela olha pra mim e pensa como se não tivesse falando
ela pensa em mim e faz como se não quisesse
ela pensa que não, até faz que não, mas tem todo dia
vem no balcão e pede outra como se pudesse
eu pisco olho, faço o troco do Manel
e ela quer outra
a barriga na madeira, a mão no vidro do balcão e bate boca
bate outra, bate uma, desce uma, desce outra
bora a louca botar a culpa em mim
e toma mais
aquela uma tá que tá pra esquecer de alguma coisa
eu finjo que nem sei
que nem lembro
e bora cobrar outra do Manel
daquela uma ali é que não cobro nada
mais nada
nunca mais

"Matilde, a louca mansa, vivia mercando assim: 
Olha a Flor da Noite!"

domingo, 19 de dezembro de 2010

Sobre viagens e música

Tava tocando
você não estava ouvindo
também não estava falando
vai ver nem estava mais lá
não estava
mas eu cantei
e eu tocava
eu cantei umas três
aquelas duas mais uma outra
aquela que ficou gravada
e as outras que ficaram marcadas
muita coisa né
que coisa

"vai mais ligeiro, ainda tenho que pegar um cinema hoje"